Mesmas regras da UE, caminhos nacionais diferentes.
Quadro único da UE para o Hidrogénio e a Amónia
A UE criou uma direção comum para as energias renováveis, o hidrogénio e os combustíveis de baixo carbono. Ao abrigo da Diretiva das Energias Renováveis revista, a UE estabeleceu uma meta vinculativa para as energias renováveis, de modo a atingirem pelo menos 42,5% do consumo final de energia até 2030, com a ambição de alcançar 45%. Esta meta influencia tanto a França como a Alemanha, ao impulsionar uma implementação mais rápida de energias renováveis, a descarbonização industrial e a utilização de combustíveis mais limpos em toda a economia.
Para a indústria, o quadro regulamentar da UE é ainda mais específico. Os combustíveis renováveis de origem não biológica (CRNB) devem representar 42% do hidrogênio utilizado na indústria até 2030, aumentando para 60% até 2035. Isso é importante para o hidrogênio verde e para produtos derivados, como amônia verde, e-metanol e combustíveis sustentáveis. Se a amônia for produzida a partir de hidrogênio renovável certificado, poderá integrar o mercado emergente da UE para moléculas industriais renováveis.
A UE também exige que o hidrogênio renovável atenda a condições rigorosas de sustentabilidade. A Comissão Europeia afirma que o hidrogênio renovável deve ser produzido a partir de energia renovável e alcançar uma redução de pelo menos 70% nas emissões de gases de efeito estufa. Essas regras se aplicam não apenas aos produtores da UE, mas também aos produtores internacionais que exportam hidrogênio renovável ou derivados para a UE.
A certificação está se tornando um fator determinante no mercado.
Para a amônia verde, isso significa que a tecnologia por si só não basta. Um projeto deve comprovar a origem da sua eletricidade, a intensidade de carbono do seu hidrogênio e a rastreabilidade do produto final de amônia. Isso se aplica tanto se a amônia for usada diretamente em fertilizantes, convertida em combustível, importada por um porto ou reconvertida em hidrogênio por meio do craqueamento da amônia.
A certificação da UE, portanto, afeta o projeto desde o início. Os desenvolvedores precisam considerar a aquisição de eletricidade renovável, a adicionalidade, a contabilização de emissões, o rastreamento do produto e a verificação por terceiros. Para as empresas que fornecem sistemas modulares de amônia verde, esses requisitos não são apenas detalhes administrativos. Eles moldam a forma como os equipamentos, os sistemas de controle, o registro de dados e a documentação do projeto devem ser concebidos.
A UE também está definindo regras para o hidrogênio de baixo carbono. O Regulamento Delegado da Comissão 2025/2359, publicado no Jornal Oficial em novembro de 2025, especifica a metodologia para calcular a redução das emissões de gases de efeito estufa provenientes de combustíveis de baixo carbono. Isso é importante porque a França e a Alemanha não competem apenas no setor de hidrogênio renovável; elas também participam de um debate mais amplo sobre como o hidrogênio de baixo carbono deve ser reconhecido na Europa.
Por que França e Alemanha ainda divergem
Mesmo sob as mesmas regras da UE, os sistemas energéticos nacionais são importantes. A França parte de um sistema de eletricidade com baixíssimas emissões de carbono. Em 2025, a França continental gerou 547,5 TWh de eletricidade, com fontes de baixo carbono representando mais de 95% da geração. Isso confere à França uma base sólida para o hidrogênio renovável e de baixo carbono, especialmente em aplicações industriais e relacionadas a fertilizantes.
A Alemanha segue um caminho diferente. Em 2025, as fontes de energia renováveis produziram 290,2 TWh, ou 57,2% da geração bruta de eletricidade da Alemanha. A energia eólica e solar são agora fundamentais para a matriz energética alemã, mas o gás, o lignito e o carvão mineral ainda fazem parte do sistema. O caminho do hidrogênio na Alemanha está, portanto, intimamente ligado à rápida expansão das energias renováveis, ao desenvolvimento da rede elétrica e à importação de derivados de hidrogênio.
Essa diferença ajuda a explicar o papel da amônia verde em cada mercado. Na França, a amônia verde ou de baixo carbono pode ser mais naturalmente associada ao uso industrial local, à descarbonização de fertilizantes e à substituição parcial do hidrogênio de origem fóssil em instalações existentes. Na Alemanha, a amônia verde está mais fortemente ligada às importações, portos, craqueamento de amônia, gasodutos de hidrogênio e à grande demanda industrial.
Um mercado comum, não uma estratégia comum.
A política da UE cria regras comuns, mas não caminhos nacionais idênticos. Tanto a França quanto a Alemanha devem cumprir as regras do RFNBO (Regulamento Federal de Biocombustíveis e Energia), a contabilização de emissões, os requisitos de certificação e os controles de auxílio estatal. Ambos os países também dependem de instrumentos de financiamento e mecanismos de desenvolvimento de mercado da UE, incluindo o Banco Europeu de Hidrogênio, que, em seu terceiro leilão, concedeu mais de € 1 bilhão a nove projetos que devem fornecer quase 1,1 GW de capacidade de eletrólise.
Para o setor de amônia verde, isso representa uma lição clara. França e Alemanha não devem ser tratadas como um único mercado europeu. Elas compartilham as regras da UE, mas suas oportunidades são diferentes. A França pode oferecer um potencial mais forte a curto prazo para a produção local de amônia verde e a descarbonização de fertilizantes. A Alemanha pode oferecer oportunidades maiores, impulsionadas por infraestrutura, relacionadas às importações de amônia verde, ao craqueamento de amônia e ao fornecimento de hidrogênio industrial.
Para os fornecedores de tecnologia, a estratégia vencedora será combinar a conformidade com as normas da UE com a lógica do mercado local. Na Europa, os projetos de hidrogênio verde e amônia verde devem atender às exigências de Bruxelas. Mas, para serem comercialmente viáveis, também precisam estar alinhados ao sistema energético nacional, à demanda industrial e à estratégia de infraestrutura de cada país.
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